A princesa do tricô Helen Rödel

Faz tempo que penso em escrever um pouco sobre o trabalho da Helen. Se temos o master representante brasileiro do tricô em Londres o Lucas Nascimento, temos também a Helen Rödel aqui, pertinho, lá no Rio Grande do Sul, que sempre se dedicou ao crochê e ultimamente vem incluindo as agulhas de tricô no seu reinado.

O trabalho dela fala por si. É poético, sensível, feminino, e o principal: tem uma identidade única. Helen é uma artista. Seu handmade passa pelo coração antes de chegar nas mãos.

Se o Lucas Nascimento, já tem uma trajetória muito bem delineada e ganhou o mundo (aqui mais sobre ele), a Helen está ainda na sua trajetória, seguindo um caminho por linhas muito mais tortas, coisa que eu admiro bastante.

Resumindo bastante sua jornada, foi mais ou menos assim como contam as fotos.

Começou despretensiosamente, mas desde sempre criando peças com uma identidade muito própria. Sendo sua própria modelo, as fotos eram postadas no Flickr (em 2007 não existia Facebook, dá pra acreditar?)

Em 2009 veio um convite inusitado de uma terra distante: a Islândia. Desfilou na Fashion Week dessa ilha inóspita e o fotógrafo Eduardo Carneiro aproveitou a paisagem para clicar modelos escandinavas com as criações da Helen.

Teve muito mais: Ellus 2ndFloor, parcerias com estilistas, matérias em revistas por todo o planeta. Um destaque para o documentário Estudos MMXI que mostra o atelier, a forma como ela vê seu trabalho, o carinho com as agulhas, a preparação das peças. Um vídeo feito com muita sensibilidade.

Orgulho: nosso encontro de tricô, o Tricotarde, já saiu em matérias ao lado da Helen Rödel pelo menos três vezes: na Harper’s Bazaar, na Revista Mag e numa matéria na Revista da Folha. Mas enquanto somos amadoras, no bom sentido, Helen transformou o handmade na sua vida. Inspiração para a gente, que fica feliz de ver o quanto o tricô e o crochet feito a mão podem ir longe.

Este post no blog do Estadão está legal, contando um pouco mais sobre a carreira da Helen Rödel.

Evoluções

Graças à Cristiane Bertoluci, minha amiga e estilista de tricô, eu que sempre fui a defensora do tricô feito a mão, também estou curtindo muito o tricô à máquina. A Cris acabou de fazer um curso em Londres onde se especializou nas técnicas das agulhas que se movem mecanicamente (= máquina).

Vejam ela e suas divinas mãos (e que linda), nesse vídeo.

Já que o assunto é tricô de máquina, vejam que demais esse projeto coloridíssimo de uma artista que criou uma coleção totalmente knitted.

Mais no site da artista. Dá pra comprar as peças! Ah, uma bolsinha daquelas…

Vi que alguns blog brasileiros já fizeram posts bacanas sobre o assunto:

Modismo

Gloss

Born Ruffians tricotando em turnê

Estava aqui pesquisando a letra da minha música preferida da minha atual banda preferida, Born Ruffians. A música é “What to Say”. Cuja letra, aliás, gerou hoje uma conversa interessantíssima com minha amiga Mari. Ficamos as duas falando que muitas vezes a gente fica ali vendo as pessoas falando, falando e a gente pensa: “nossa, mas eu não tenho nada para dizer”. Chegamos à conclusão de que muita gente pensa isso, mas no fim todo mundo se sente na obrigação de falar. E como bem disse a Mari, quando não se pensa por conta própria, vêm as referências… hahahaha… adorei. Me veio um monte de gente na cabeça.

A gente quer mais conversas significativas. Falar de coisas mais profundas. Sonhar falando. Imaginar falando. Mudar de assunto. “Falar coisas que a gente jamais falaria”. Deixar de falar só para fazer barulho. Deixar de pensar que o silêncio significa falta de conexão. Entender que silêncios pode significar maior conexão. Como diria o poeta Mario Quintana, “seus silêncios são pausas musicais”.

Bom, deixando a conversa e o silêncio de lado, esse post tem a ver com tricô, sim. Estou curtindo muito essa banda e encontrei um vídeo deles fazendo uma aula de tricô (!!!) e falando do novo disco.

Curtam os meninos lindos falando e tricotando e depois o som deles.

O videozinho aqui neste link.

E o clipe da música aqui. A letra pra se divertir cantando vem logo depois.

What To Say

When I wake up I’m speaking slow.
When I get drunk I’m speaking more.
Get too drunk & I don’t speak at all.
Get too close to you & I don’t know what to say.
The only time I make sense is when I’m talking in my sleep.
But there’s nobody around to write it down,
So it gets lost on my books & pillows.
The only time you made sense was when I was talking too.
But we had to take turns, one at a time.
& when it comes to mine I have no idea what to say.

When I’m talking to you.
What to say when I’m standing there talking to you.

Words that don’t relate to one another flowing off our tongues.
Fragments, fleeting thoughts get strung together one by one by one.
Things we can’t relay to one another.
Smoke goes in my lungs.
I get more from a look than from people when they’ve spoke or yelled or sung.

People talk
People talk
People talk, but they don’t know what to say.

What do you say?

When it comes to you, you look good in your sleep (what do you say?)
When it comes to you, you look good in a heap of images stacked so… electronically.
(what do you say?)
When it comes to you you look to keep no matter what

People talk.
People walk.
People mock.
But they don’t know what to say.

What to say when I’m talking to you.
What to say when I’m standing there talking to you.
What to say…
What to say…
What to say now that I’m standing here talking to you.

Encontro para tricotar

Hoje foi nosso primeiro encontro “oficial” do tricô. Convidamos algumas amigas e rolou! O pessoal do Super Cool Market cedeu um belo espaço e a gente se divertiu, contando histórias, falando de tricô, balada, Londres, moda, sem parar de tricotar. Para completar, a tarde de sábado estava linda.

As dicas rolaram soltas: contador de carreiras (na fotinho, o aparelhinho vermelho), livros, pontos, ideias para cachecol, dificuldades, acertos, fios, lojas, …

As fotinhos totalmente falam por si. Clima de alegria com um solzinho delicioso dando o tom.

tricô subversivo | extreme knitting

Me fascina ver a dimensão que o tricô está tomando desde que criei o blog há dois anos atrás. Cada vez vejo coisas mais incríveis feitas com tricô. Roupas que parecem esculturas, móveis, tapetes, objetos, até chegarmos em peças de arte mesmo. Se antes o tricô era algo ultrapassado e era difícil encontrar algo realmente bacana, hoje parece que se redescobriu para valer tudo o que ele pode render.

No Brasil ainda é difícil encontrar pessoas jovens que saibam tricotar, é uma arte quase perdida entre pessoas com menos de 40 anos (menos de 30 nem se fala, e quem tem menos de 20 mal sabe a diferença entre tricô e crochê). Ou seja, pra chegarmos no nível de tricô-arte, ainda falta muito… e eu dou pequenos passinhos aqui, mais nos planos do que na prática ainda.

Nos Estados Unidos e Europa a onda já cativou mulheres mais jovens e eu sinceramente espero (e também é por isso tenho esse blog) que o aprendizado seduza por aqui também.

Essa foto eu tirei de duas garotas sentadas no Teany (bar do Moby, na rua Rivington, em New York). Uma cena impensável por aqui, apesar de que eu já fiz coisa parecida nas ruas de Porto Alegre e São Paulo. Mas sempre sozinha, pois não tenho companhia para tricotar. É uma atividade solitária no meu caso, mas adoraria trocar figurinhas com mais gente.

Fica a foto e o convite pra quem quiser me acompanhar.

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Bem, mas para justificar o título do post, ‘extreme knitting’, vou falar de um designer alemão chamado Sebastian Schonheit, que estuda na Bauhaus University, que desenvolver um trabalho com tricô gigante. Olha ele aí coberto com sua peça de tricô.

Este trabalho foi exposto em 2008 no espaço “798 Art Zone”, em Beijing, na China. Estive na China ano passado (ano das Olimpíadas) e fui com meus amigos a estas galerias do 798, uma visita imperdível para quem for a Beijing.

Aqui tem mais fotos do rapaz tricotando com agulhas gigantes. Dá vontade de fazer igual. Um tapetão assim ia ser lindo.

Ainda falando em subversão do tricô tradicional e suas novas dimensões, descobri outro dia a designer Liria Pristine. O trabalho dela é incrível, não é para menos que ela é uma 30 pessoas selecionada pelo projeto “Creative 30”.

Vejam o Patrick Wolf bizarro com os delírios da Liria Pristine.

E uma das suas criações mais completas (consigo imaginar a Bjork vestida assim).

LookBook.nu – comunidade ‘indie fashion’

Resolvi visitar essa comunidade que eu adoro da moda que não vem das passarelas, e selecionar alguns looks onde o tricô é um ponto forte do visual. O LookBook.nu tem 1 ano de existência (iniciou em abril de 2008) e recebe atualmente 250 novos looks por dia.

I decided to visit this online community to check out what kind of knitted pieces people are wearing, outside the catwalks. The LookBook is celebrating its first anniversary this April 2009, and 250 new looks are uploaded every day.

Vejamos que peças de tricô as pessoas estão usando:

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Casaqueto oversized preto numa textura linda! Simplicidade e elegância. * oversized black jacket – elegance and simplicity in one piece.
Look da Emily ), da Romênia
Look da Emily O, da Romênia, mostrando que um sweater tradicional pode ser BEM sexy. * Romenian Emily O’s look, showing how sexy a traditional sweater can be.
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Lindo cachecol, branquinho super soft. Delícia de frio… * nice scarf, supersoft… it’s so romantic when it gets cold like that.

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A melhor coisa dessa gola é o quão fácil é fazer uma igual pra incrementar qualquer look. Principalmente os básicos, como o da japinha. * the best thing about this piece is how easy it is to make one just like that.
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Feito pela avó, a blusa desse azul tão ‘do fundo do baú’ fica perfeita com as pérolas e pingentes antigos. * take an old-fashioned blue sweater, add pearls and vintage pendants, some black stockings and you’ve got the look!

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O coletinho é legal porque é rápido de fazer. Esse ficou uma graça por causa do tamanho (small-sized) e da cor super retrô. O capuz dá o toque charmoso e moderno. *A vest is easy and fast to to knit. this one is charming because of the old-fashioned beige color and the hood.